• Pedro Werneck Brandão

Ô NA BOCA surpreende espectadores com um show de criatividade, sensibilidade e imaginação

Em cena, com nada mais do que alguns rolos de papel, caneta e pregadores, a atriz e bailarina Eleonore Guisnet consegue contar histórias e transmitir sentimentos sem dizer uma palavra


Por Anna Gabriela Bonnin


Personagem de Eleonore Guisnet se transforma em pássaro

Ô na boca é, sem a menor dúvida, um grande espetáculo. A atriz e bailarina, Eleonore Guisnet, nos conduz com maestria por uma aventura cheia de histórias de amor, comédia e dramas, sem precisar dizer uma palavra sequer. É uma peça de grande sensibilidade artística. Desenvolvida de forma simples e criativa, ela é capaz de evocar sentimentos diversos apenas com papel, pregadores e uma atuação impecável.


A história começa quando uma menina visivelmente entediada encontra um rolo de papel que, num rompante imaginativo, se transforma em sua arma de caça, depois numa luneta, e mais tarde em remos. Os efeitos sonoros, grandes aliados da peça, embalam a plateia na adrenalina da cena. Algumas crianças se equilibram na pontinha da cadeira, atentas, para não perderem nenhum momento de ação. Mas a magia acontece de verdade quando a menina abre o rolo de papel e descobre uma infinidade de “eus” que vivem dentro dela.


Abre o rolo, corta daqui, dobra dali, e ela é uma princesa! Da plateia, as crianças suspiram, entorpecidas por sua graciosidade. Mas como toda boa história, logo vem uma reviravolta: a princesa se enfurece ao descobrir que seu amor não é correspondido. A carta, em forma de coração, se parte e cai em forma de lágrimas, literalmente. A música fica tensa, a iluminação agora é vermelha. No lugar do sol, uma nuvem em tempestade. Ela sobe no topo do mundo (uma caixa de madeira) e com um grito de fúria e uma coroa de pregadores, nos mostra que agora é uma rainha má e sem coração. Lá do fundo, se escuta uma voz de criança: “papai, eu ‘tô’ com medo dela”.


As expressões faciais e corporais de Eleonore, conseguem transmitir com excelência cada história a ser contada e cada sentimento vivido intensamente pela personagem. A sonoplastia, de Rodrigo Marçal, e a iluminação, de João Gioia, são como personagens secundários, que contribuem em peso para essa narrativa silenciosa. O espetáculo consegue manter adultos e crianças atentos e encantados do início ao fim.

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