• Pedro Werneck Brandão

A Rainha e as Abelhas teve magia, interação e casa cheia

Updated: Oct 15, 2019

Na plateia, também estava presente Noel Jordan, o curador do Festival para Crianças Internacional de Edimburgo, Escócia


Andrea Jabor interpretando "A Rainha e as abelhas" (Foto: Beatriz Benzecry)

Por Ana Paula Jaume


Na manhã da última sexta-feira (11), "A Rainha e as Abelhas", de Andrea Jabor – diretora, coreógrafa e bailarina – levou fantasia, interação e melodia à Casa 38, localizada no bairro do Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro. Antes mesmo de o espetáculo começar, o público – adultos e crianças – já se mostrava curioso e alegre com o que estaria por vir.


Quem também marcou presença no local e conferiu a atração junto à plateia foi o experiente curador e diretor do Festival para Crianças Internacional de Edimburgo, da Escócia, Noel Jordan. Ele estava acompanhado pela artista visual e designer gráfica Julia Aiz, considerada o “anjo de Noel” no FIL de 2019.


Vestindo enormes saias flutuantes, dignas de princesas de contos de fadas, e um véu em seu rosto, a bailarina iniciou a performance dançando, ao som de uma música lenta, e, segurando, delicadamente, um girassol. A Rainha, através de movimentos, expressões e sons, convidou a plateia a adentrar o fantasioso universo dos contos de fadas dando asas à imaginação. Em diversos momentos, as crianças, que estavam assistindo atentamente à fábula, riam, comentavam a respeito das cenas, abraçavam-se e interagiam diretamente com a personagem.

Em um dado momento da apresentação, a bailarina retirou o véu que cobria seu rosto de forma lenta, misteriosa e poética, fato que levou o público a aguardar ansiosamente pelo desfecho da ação. Na sequência, uma menina, de aproximadamente quatro anos, que observava atentamente a cena, ficou tão impressionada que, imediatamente, começou a aplaudir o ato.


Quando rugidos de animais selvagens surgiram nas caixas de som do espetáculo, algumas crianças surpreenderam-se e, rapidamente, tentaram decifrar a origem desses barulhos. Algumas, inclusive, levantaram-se de seus lugares e começaram a movimentar-se pela sala em busca de alguma resposta.


A conexão entre o público infantil e a coreógrafa foi notória. Isso pode ser visto quando a Rainha enrolou sua perna “acidentalmente” – como parte da cena – em sua roupa e, na mesma hora, cinco crianças levantaram-se a fim de ajudá-la a sair de tal emboscada. Em seguida, ela agradeceu a ajuda e as crianças voltaram aos seus lugares. Pouco tempo depois, a personagem surgiu com um spray, o que despertou uma série de indagações e suposições, por parte dos espectadores. “Será uma poção mágica?”, comentou um pai ao seu filho. Já outra criança, afirmou: “É veneno!”


O momento em que as crianças "socorrem" a artista (Foto: Beatriz Benzecry)

Na metade do evento, Andrea apareceu com um lenço azul, realizou movimentos sutis – com a leveza de uma pena – e precisos. Até que, de repente, ela foi até o público, circulou entre as pessoas e envolveu-as com o lenço, o que causou enorme histeria e agitação. Enquanto isso, algumas crianças gritaram, levantaram e correram, livremente, em direção ao palco, na tentativa de explorá-lo, brincar e viver uma emoção diferente. Sob olhares examinadores, a diretora cobriu-se com sua saia e se transformou, ainda, na Branca de Neve.


Ao término do espetáculo – o qual integra o 17° FIL (Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens) – que durou aproximadamente uma hora, Andrea Jabor agradeceu a presença de todos, falou a respeito de pertencimento, da forte interação com a plateia e de adversidades enfrentadas pela equipe, como problemas técnicos de última hora. Além disso, ela reforçou a importância de espetáculos, como este, no desenvolvimento das crianças, visto que promove a conexão e a liberdade ilimitada de fantasiar sobre qualquer aspecto da natureza.



Confira também o pequeno vídeo produzido pelo repórter Pedro Guimarães:



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