• Ana Clara Thomaz

Entrevista exclusiva com os músicos Camille Rocailleux e Guilherme Borges

Updated: Dec 10, 2021


Antes da estreia da ópera Bem no meio no dia 21/11, tivemos a honra de fazer uma entrevista com dois musicistas importantíssimos na produção de Karen Acioly: Camille Rocailleux, que é o responsável pela música e partitura original da ópera, e Guilherme Borges, que faz a direção musical e regência da ópera. Venha acompanhar conosco essa conversa deliciosa e cheia de risadas.


Como foi para você, Guilherme, trabalhar a distância sem conhecer o Camille?


G: Para mim, foi um desafio! Porque eu tive que, primeiramente, me habituar ao universo sonoro e musical do Camille, conhecer muitas de suas obras e decorar algumas coisas. Aprendemos tudo via áudio, então também teve essa especificidade de aprendizado um pouco mais difícil. Mas uma vez essa primeira barreira ultrapassada, foi um trabalho muito prazeroso de fazer. Entender as percussões, os espaços e as articulações específicas da música do Camille foi bem interessante.


E o que você percebe de característica da música do Camille?


G: Me parece uma escrita de um percussionista, uma pessoa que tem uma cabeça muito voltada para ritmos complexos, para justaposição de ritmos, para o contraste entre ritmos e silêncios e, às vezes, uma harmonia que até não se move tanto, mas que tem jogos melódicos que colaboram com esses ritmos complexos.


Você sentiu um grau de dificuldade nas músicas para as cantoras?


G: Para elas foi bastante complicado. Há uma questão: os ritmos complexos traziam desafios de prosódias. Por ser uma obra composta em francês e escrita em português, o compositor não é da mesma língua materna que a libretista, isso cria o desafio de encaixar a prosódia dentro da complexidade rítmica. Além disso, existe a dificuldade de se manter em um registro agudo sempre, o que é muito extenuante e cansativo para elas, primeiro no estúdio e agora jogando para cena onde há movimento corporal. Mas as meninas estão bem estáveis, com a cor de voz bonita e entregando a parte teatral também.


Camille, como você pensou essa transferência de música para comunicar em outra língua?


C: Não é nada fácil quando você é francês e não fala bem o português. Tem muitas nuances no interior, o português é uma língua muito rica e tem muita musicalidade na acentuação. Eu me dediquei a tudo isso, mas sabia que teria que fazer uma adaptação depois de tudo pronto. Eu e Karen já tínhamos feito Fedegunda antes, onde já havíamos tido essa experiência, então já sabia como seria esse processo. O legal é que isso cria um olhar estrangeiro para a produção, se um brasileiro tivesse feito seria completamente diferente. Cria uma distância interessante, mas também uma proximidade que um compositor brasileiro não teria com a musicalidade.


O que você pensa do processo da ópera agora que está vendo a continuação?


C: Estou muito contente! Tenho muita confiança na Karen e na qualidade dos seus trabalhos. Também estou muito contente com o diretor musical (Guilherme Borges), ele realmente acertou em seu trabalho e é uma pessoa muito importante nesse projeto. Precisou ter abertura de espírito, soube adaptar, e teve grande respeito a partitura. Conseguiu avançar na temporalidade, que eu sei que é uma temporalidade muito curta para avançar. Além de tudo, conheci uma ótima pessoa.


Para vocês dois, como é a experiência de trabalhar com a Karen Acioly?


G: É um completo caos! (risos) É maravilhoso e estressante! (risos) Na verdade, é muito agradável. Tem sido bem libertador, em todos os sentidos da palavra, porque eu tenho a carta-branca para fazer tudo o que eu quiser e, por causa disso, acabo me perdendo no processo, o que é bom, mas um pouco estranho.


C: Eu diria o mesmo! (risos) Mas é a Karen, é assim que ela é, eu já sei disso. É sempre o mesmo. Eu não sei exatamente quando ou como as coisas vão começar a existir, mas finalmente, no momento e na hora certa, elas passam a existir e com uma equipe perfeita. Ela tem muito talento para muitas áreas!

Camille, o que você conhece da música brasileira? O que você escuta e gosta?


C: Eu já toquei com um músico clássico-tradicional brasileiro, conheço o trabalho de Villa-Lobos e escuto Caetano Veloso, que eu já conhecia, mas depois do contato com os brasileiros fiquei mais próximo das obras dele.


Você está mais próximo das músicas clássicas ou das músicas populares? Escuta mais o pop ou o clássico? Conhece nosso Funk Carioca?


C: Creio que estou mais próximo das atuais! Mas eu escuto de tudo um pouco, desde clássico até eletrônico. E sim, me apresentaram o Funk brasileiro, há um tempo, aqui mesmo no Brasil.


E para finalizar, o que você gostaria de ver em cena que ainda não viu?


C: O som de Bem no meio em uma orquestra!






Esse projeto tem como parceiros institucionais o Consulado Geral da França no Rio de Janeiro e o FIL Festival. Também conta com o patrocínio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e Oi.

Correalização: Oi Futuro e Borogodó Empreendimentos Culturais.

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