• Juliana Sorrenti

Infância e Migração: encontro virtual mostra que educação é o caminho para o acolhimento

Updated: Mar 25

por Juliana Sorrenti


(Imagem: Reprodução)


A palavra-chave do último Encontro de Saberes de sexta-feira (19/03), Infância e Migração, foi educação. Mediada por Pablo Fontes, professor colaborador do Programa de Pós Graduação em Mídias Criativas (PPGMC-UFRJ) e doutorando em Relações Internacionais pela PUC-RIO, a abertura do encontro virtual estabeleceu a conexão, muitas vezes negligenciada, entre os dois temas que dão nome à mesa, além de contextualizar o cenário brasileiro no fluxo migratório venezuelano.


O depoimento de Prudence Kalambay, atriz, modelo, palestrante, empreendedora, ativista dos direitos humanos e youtuber, trouxe a vivência na pele dos refugiados e migrantes no Brasil. Vinda da República do Congo, ela trouxe como recorte sua experiência como migrante e mãe solo de 5 crianças. Relatando os momentos de desamparo, de bullying e de racismo sofridos pela filha mais velha na escola, ela destacou o despreparo das instituições de ensino no acolhimento de estrangeiros e a falta de informação dos migrantes sobre os seus próprios direitos.


“Eu fui Miss em 2004, eu fui eleita Miss Bibile, mulher bonita, não foi escrito mulher negra. Mas já chegando aqui, infelizmente me encontrei com várias coisas [...] de cabelo duro, de pé de macaco, dentro da sala de aula, colegas”, contou.


Chefe de Escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Boa Vista, Marcela Ulhoa, apresentou, ao lado de Yuri Pires, dados alarmantes sobre a migração venezuelana. Hoje, mais de 260 000 migrantes e refugiados da Venezuela vivem no Brasil. Desse número, pouco mais de 30% do fluxo é de crianças e adolescentes. São mais de 2 300 crianças indígenas, das etnias Warao, Eñepa e Permon.


Um dos principais programas relacionados à educação e proteção à criança, Espaços Súper Panas, investe em atividades de educação não-formal, buscando derrubar a barreira da língua entre as crianças venezuelanas e o novo país. Reformulado durante a pandemia de COVID-19, Súper Panas foi transformado em um programa de rádio que conta com a interação de crianças e adolescentes. O vídeo de pouco mais de um minuto, exibido durante o encontro virtual, mostra um pouco da mudança do formato da iniciativa.


“A proposta da rádio para mim foi também uma luz, porque eu gosto muito de fazer tudo que tem a ver com arte”, afirmou Maria Gabriela Villalba, educadora social do Instituto Pirilampos.


Ex-vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), Sérgio Marques, atualmente Sub Gestor Nacional da Advocacy, Alianças Institucionais e Cooperação da Aldeias Infantis SOS Brasil, marcou presença com um momento de fala sobre respeito.


“Ele [Brasil] foi construído por imigrantes, pessoas de diversas nacionalidades, é um país acolhedor, mas nós precisamos cada vez mais ensinar as nossas crianças e adolescentes, aos adultos, o respeito às pessoas independente da sua nacionalidade”, contou.


A meta das Aldeias Infantis SOS Brasil é que pelo menos um membro de cada família saia do abrigo com um emprego.


Pablo Fontes encerrou o encontro com um pedido de desculpas à Prudence e a todos os refugiados e migrantes em nome da população brasileira. “Eu te peço desculpas e perdão pelo nosso país, pessoas que infelizmente fazem uso das mais diversas formas de violência, entre elas, o racismo, o preconceito, a xenofobia, que, para mim, enquanto um analista, um estudante, enquanto acadêmico é intolerável”, afirmou.


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