• Felipe Galeno

Uma celebração do teatro de marionetes

Updated: Mar 25

Primeiro Encontro de Saberes da FIL 2021 reúne especialistas para debater sobre o teatro de bonecos


Por Felipe Galeno


(Imagem: Reprodução)


Por que acreditar no teatro de bonecos? Foi com esta a pergunta que começou a 18° edição da Feira Internacional Intercâmbio de Linguagens, que, em 2021, está acontecendo de forma 100% online. O primeiro Encontro de Saberes do FIL, mediado pelo diretor teatral Luiz André Cherubini, reuniu especialistas em teatro de marionetes para pôr em debate as possibilidades e dramaturgias da arte das marionetes e das formas animadas. Foi uma conversa leve e agradável, que ofereceu uma oportunidade aos convidados de "transbordar" e transmitir a quem assistia um pouco dessa paixão que cada um deles tem pelas artes cênicas animadas.


Em sua primeira fala, o dramaturgo francês e acadêmico da Sorbonne Eloi Recoing comentou as alternativas de renovação como uma das grandes virtudes do teatro com bonecos. “Não devemos ter medo de nos abrir”, destacou o francês, que declarou sua crença em uma aliança entre a criação prática popular e a pesquisa acadêmica como uma forma de resgatar a raiz universal e acessível desse teatro. Já a marionetista Ines Pasic lançou um olhar para suas próprias memórias para falar da força afetiva do teatro de bonecos. Ines contou que sua primeira experiência estética com teatro na infância foi através de um espetáculo de marionetes, e declarou: “A marionete é o símbolo de um mundo invisível. É algo que é, portanto, muito subjetivo e muito universal.”


Em seguida, a professora da Escola de Comunicação da UFRJ Adriana Schneider trouxe à mesa questões ligadas ao lugar social dos teatros de animação nas experiências tradicionais de cada cultura. Os bonecos populares, como o mamulengo no caso brasileiro, possuem, segundo Adriana, uma dimensão evidentemente política que os torna um dos objetos culturais mais complexos. Esse aspecto também é bem importante quando pensamos sobre a forma como as artes de marionetes quebram as barreiras de uma concepção conservadora do teatro, como complementou a atriz Sandra Vargas. Ela contou que, a partir das experiências com seu grupo teatral Sobrevento, pôde observar como o espetáculo de animação fala com seu público "de igual para igual", promovendo um sentimento de identificação que é essencial a essa forma de encenação.


Por fim, os participantes dedicaram os últimos minutos do encontro a pensar sobre o que pode estar por vir no mundo do teatro de animação. E, por mais que não haja nenhuma conclusão exata sobre o futuro da arte, todos os convidados concordaram que o amanhã das marionetes é cheio de vida. A arte, como Adriana Schneider afirmou, já passou por vários "fins do mundo" antes e permaneceu resistindo, e, portanto, a expectativa para o planeta pós-pandemia é uma em que os artistas continuam explodindo em possibilidades de criação e poesia através dos bonecos e animações.

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