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A Literatura e a Dramaturgia no Universo Infantojuvenil: Diálogos e Desafios

Writer: anacpintofil
anacpintofil
Oct 1
3 min read



Foto: Cláudia Ribeiro.


Por Maria Eduarda Reder Santos 


Na tarde do dia 23 de Setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebeu um encontro promovido pelo Núcleo de Estudos de Literatura Infantil e Juvenil (NELIJ), da UERJ, como parte da programação do FIL (Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens). O encontro reuniu pesquisadores e autores para discutir os caminhos da literatura e da dramaturgia voltadas para crianças e jovens e os desafios para fazer esses textos chegarem aos leitores, às escolas e aos palcos. A programação foi dividida em duas mesas. A primeira teve como mediadora Karen Acioly com participação da pesquisadora Ana Crélia Penha Dias e da dramaturga Thereza Falcão, a segunda contou com Flávia Côrtes e Alexandre de Castro Gomes, sob mediação de Fernanda Ramos.         


Logo no início Karen Acioly destacou a importância de iniciativas como o FIL, para a manutenção do teatro voltado ao público infantil. Em um cenário em que espetáculos para crianças enfrentam dificuldades para ocupar os palcos, o festival aparece como um espaço de encontro entre infância, famílias e arte.Entre os assuntos discutidos, um dos pontos que mais chamou minha atenção foi o espaço ocupado pela dramaturgia na formação de leitores. Ana Crélia Penha Dias chamou atenção para o que considera um apagamento do texto dramático no ensino, fazendo com que a dramaturgia permaneça distante do cotidiano escolar.Thereza Falcão, por sua vez, levou a discussão para a prática teatral e para sua experiência como dramaturga. Ao falar sobre seu trabalho para crianças, destacou a possibilidade de abordar temas delicados de maneira acessível e divertida. Um exemplo é “Missão Super Secreta”, obra que ela destaca tratar de sentimentos e situações familiares difíceis, como a separação dos pais, utilizando o humor e a imaginação para aproximar essas questões do público infantil.         


Na segunda mesa, Flávia Côrtes e Alexandre de Castro Gomes aprofundaram a conversa sobre os caminhos que um texto percorre até chegar ao leitor. Flávia falou sobre a influência do teatro em sua própria escrita e citou obras como “Para ser Bernardo”. A autora também comentou sobre a resistência do mercado editorial brasileiro em publicar textos dramatúrgicos, que muitas vezes acabam sendo adaptados para o formato de prosa, considerado mais comercial pelas editoras.Alexandre de Castro Gomes trouxe outro aspecto da relação entre literatura e teatro: a transformação de histórias literárias em diferentes linguagens. Ao citar autores como Monteiro Lobato, Ziraldo, Pedro Bandeira e Fernando Sabino, destacou uma tradição brasileira de levar obras infantojuvenis para os palcos, para o cinema e para a televisão.O autor também compartilhou sua experiência com “O Julgamento do Chocolate”. A obra nasceu a partir da percepção de que estudantes já encenavam espontaneamente a história em ambiente escolar, o que despertou a possibilidade de transformá-la em texto teatral. Para Alexandre experiências como essa mostram como a dramaturgia pode estimular a participação, a criatividade e o interesse dos jovens pela leitura.         


Mais do que apresentar diferentes opiniões sobre literatura e teatro, o encontro me fez perceber que uma história para crianças pode existir de muitas formas. Ela pode estar em um livro, ganhar voz no palco, ser transformada pelos próprios leitores e até chegar ao cinema ou à televisão.O que mais me chamou atenção foi perceber que a dramaturgia não precisa tratar a infância de maneira superficial. Questões difíceis podem fazer parte dessas histórias, desde que sejam apresentadas de uma forma que dialogue com o universo infantil. Missão Super Secreta foi um exemplo disso: um assunto delicado pode ser apresentado por meio do humor e da imaginação sem deixar de ser levado a sério.Também fiquei com a impressão de que aproximar as crianças do teatro não depende apenas de colocá-las diante de um palco. É preciso permitir que elas participem, imaginem, interpretem e tenham contato com diferentes formas de contar uma história. Nesse sentido, a leitura de textos dramáticos pode ser tão importante quanto assistir a uma peça.         


O encontro do NELIJ mostrou que, mesmo diante das dificuldades encontradas nas escolas e no mercado editorial, a dramaturgia infantil continua encontrando maneiras de existir. Entre os livros, palcos e salas de aula, ela mantém aberto um espaço para que crianças e jovens não apenas leiam histórias, mas também possam dar voz a elas.


 
 
 

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