Quando a infância morre?: Fernán Cardama e o Teatro de Objetos.

Por Hugo Peres, Guilherme Borges e Miguel Mexas
Um óculos virando uma mosca, uma concha virando poste e um cinto virando cobra,
pode até parecer brincadeira de criança, mas na realidade, são exemplos de como a
fagulha de uma criança ainda vive acesa dentro de muita gente.
Essa é a proposta dentro da oficina de Teatro de Objetos conduzido por Fernán
Cardama no último dia 17 de setembro, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de
Janeiro, o espanhol volta ao FIL pela terceira com a apresentação de “Con un kilo de
harina “, onde nos conta a história de Giuseppe, um jovem de 15 anos chegando na
Argentina buscando novos rumos. Mas antes de darmos lugar aos palcos e a platéia;
daremos lugar há uma sala, com mesas, cadeiras e gente empolgada em dar vida aos
objetos que muita das vezes não damos importância.
Este é o caso da Tatiane Ferreira, bibliotecária da casa do Colégio de Aplicação da UFRJ
e que também há 15 anos vem contando histórias: “há 15 anos que eu conto histórias
com o kamishibai. O kamishibai é um instrumento japonês usado para contar história
“, quando questionada o motivo de estar na oficina, a mesma respondeu que é para
aumentar o seu repertório.
Enquanto alguns vêm por apenas por conhecimento, alguns adicionam o tempero
profissional, Mateus Fontini, ator e já experiente no teatro de objetos, veio para aumentar o
seu “portifólio”: “Eu sou ator e eu trabalho com teatro de manipulação de bonecos. E aí
também tem a manipulação de objetos. Então eu vim pra cá hoje pra entender um
pouco melhor esse universo, pra experimentar e também pra aproveitar, sabe? Pra
agregar no trabalho junto com o aprendizado. “
Ferran explicou que o teatro de objetos busca resgatar a imaginação infantil, estimulando
os participantes a brincarem e transformarem elementos comuns em novos mundos,
imitando a liberdade criativa das crianças. Ele elogiou a preparação, a trajetória e a
generosidade dos alunos brasileiros que participaram do ateliê:
“Sim, basicamente, quando vocês faz teatro, tem que tratar de jogar, não? Quando faz teatro de objeto, é isso, tratar de jogar como fazem as crianças.
As crianças convertem qualquer coisa em um mundo, não? Podem pegar
uma caixinha vermelha e falam que isso é um um bom carro bombeiro e para
eles é um carro de bombeiro."
O conceito do teatro de objetos é francês e tem como pilar 4 elementos: forma, cor,
metáfora e metonímia, A prática consiste em pegar um objeto qualquer e, sem alterar sua
matriz física, transformar sua função por meio de uma nova interpretação.
A peça “Con un kilo de harina”, nos palcos, é a demonstração maior de Ferran no uso
da manipulação de objetos, a apresentação, além do Brasil, correu a Espanha e a
Argentina. Começando em 2021, obteve o “Prêmio de Melhor Espetáculo de Objetos na
Feira Europeia de Teatro para crianças e jovens”, no ano de 2022 em Gijón na Espanha.



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