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A Poética dos Imaginários Animados: um encontro que atravessa fronteiras.

Writer: anacpintofil
anacpintofil
Sep 24
3 min read

Foto: Renato Mangolin


Por Eduarda Meireles

No dia 18 de setembro, de forma online, aconteceu a Mesa 5 do Colóquio

Internacional "A Poética dos Imaginários Animados", parte da programação do FIL, o

Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens. Foi um daqueles encontros que

carregam, por trás, décadas de trabalho dedicado a uma ideia simples e ao mesmo tempo

enorme: a de que a imaginação da infância merece ser levada a sério.


Antes de falar da mesa em si, vale entender o que é o FIL. Criado em 2003 pela

dramaturga e encenadora carioca Karen Acioly, o festival acontece todos os anos no Rio de

Janeiro e é dedicado a colocar em diálogo diferentes linguagens artísticas, como teatro,

dança, marionetas e artes visuais, voltadas principalmente ao público infantil, mas sem

tratar a infância como um público menor ou simples. Ao longo de mais de duas décadas, o

FIL construiu uma identidade própria: a de um festival que entende a arte para crianças

como um território de invenção, de memória e de encontro entre gerações, e não apenas

como entretenimento passageiro. Talvez seja justamente por essa consistência ao longo

dos anos que o FIL costuma despertar tanto carinho em quem acompanha sua trajetória,

inclusive fora do Brasil, já que o festival sempre teve o hábito de trazer convidados e

parcerias internacionais, tecendo, ano após ano, uma espécie de bordado afetivo entre

artistas de lugares muito diferentes.


Foi dentro dessa lógica de troca internacional que nasceu a Mesa 5 do colóquio.

Mediada por Miguel Falcão, pesquisador português especializado em marionetas e formas

animadas, a mesa reuniu Raul Sansica, ligado ao Festival Internacional de Teatro de

Córdoba, na Argentina, Andrea Perez, do FAMFEST, o Festival Internacional de Teatro

Familiar, do Chile, e a própria Karen Acioly, representando o FIL. Cada um trouxe um pouco

da experiência de seu país e de seu festival, mostrando como a ideia de "imaginário

animado" ganha formas diferentes dependendo do solo cultural em que nasce.


Raul Sansica, por exemplo, trouxe uma reflexão sobre o próprio sentido de existir em

rede: para que serve, afinal, uma rede entre festivais tão distantes? Ele reconheceu que

nem sempre há consenso entre eles, mas defendeu que o essencial é continuar

construindo, juntos, um relato capaz de dar conta das infâncias no mundo contemporâneo.

E, entre os sucessos que celebrou, destacou justamente a permanência: "que seguimos

existindo, que seguimos estando", disse, anunciando que Córdoba já prepara seu terceiro

Encontro de Cultura Infância, prova de que essa rede segue viva. 


Andrea Perez, por sua vez, foi na direção do que sustenta tudo isso por dentro, falando sobre "o teatro, a arte, a criatividade e também as novas linguagens" que atravessam o FIL, como se lembrasse que, por trás de qualquer festival, o que realmente importa é essa mistura de linguagens que não cabe em uma única palavra.


O fato de a mesa ter sido online, aliás, diz bastante sobre o momento atual desses

festivais. Mesmo à distância, sem que seja preciso estar fisicamente no mesmo país, dá

para construir esse tipo de rede de trocas, como a tecida entre Argentina, Chile e Brasil, aproximando experiências que, de outra forma, provavelmente ficariam isoladas dentro de suas próprias fronteiras. 


Há algo quase mágico nisso — a mesma marionete que cabe na palma de uma

mão consegue, de algum jeito, atravessar continentes e reaparecer, viva, em outra língua,

em outro país, no imaginário de outra criança.


No fim, o que fica desse colóquio não é apenas um registro sobre teatro de bonecos,

mas um lembrete de que existe, espalhada pela América Latina, uma rede de gente

pensando em como a arte pode chegar até a infância de um jeito que respeite sua

inteligência e sua imaginação.


 E o FIL, com seus mais de vinte anos de existência,

sustentado ano após ano por Karen Acioly e por quem acredita nesse trabalho, segue

sendo um dos fios que ajuda a tecer essa rede, silenciosamente, mas sem nunca parar,

seguindo existindo, seguindo estando.


 
 
 

1 Comment

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Laru
Sep 25
Rated 5 out of 5 stars.

Amei!!!

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