Larilá: Quando a Ópera Infantojuvenil Desarma o Cotidiano e Alimenta a Imaginação.

Por Beatriz Loyola
No dia 27 de setembro, o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) foi palco de um daqueles encontros que reforçam a força da arte no nosso dia a dia. Como parte da programação do FIL - Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens - tive a oportunidade de assistir à ópera infantil “Larilá”, uma experiência cativante que combina música, sensibilidade e a mais pura essência da infância.
A gênese de “Larilá” é, por si só, um ato de sensibilidade. A história nasceu em um momento cotidiano da rotina urbana: a escritora Karen Accioly estava parada em um sinal de trânsito quando conheceu o garoto João e sua irmã, Larilá. Ao presentear os dois com os brinquedos que trazia no carro, Karen foi surpreendida pelo pedido singular e sincero de Larilá; ela não queria brinquedos, queria livros. Tocada por aquele gesto, a autora voltou para casa e reuniu todos os livros infantis que pôde encontrar para entregar aos irmãos. A gratidão das crianças veio acompanhada de um pedido irrecusável à escritora: “Escreve uma história para a gente?”.
Desse encontro espontâneo e afetuoso, nasceu o projeto que culminou no livro, com previsão de lançamento oficial até o final deste ano. Estar na plateia do CCBB durante o festival teve um gosto ainda mais especial por descobrir que aquela foi apenas a segunda vez em que a obra foi apresentada ao público. A leitura musicada dessa ópera infantojuvenil permitiu vivenciar os primeiros passos do projeto em primeira mão, testemunhando o diálogo entre narrativa, voz e música.
A recepção do público e a troca no debate após a apresentação reafirmaram a riqueza da proposta. Como destacaram pessoas da plateia, “Larilá” consegue ser ao mesmo tempo rebuscada e simples, unindo o rigor da orquestra e o talento vocal dos intérpretes a uma narrativa cotidiana, honesta e acessível. Entre os depoimentos, destacou-se o valor de não subestimar a capacidade da compreensão do público infantil, que absorve a música contemporânea e a ópera com curiosidade, leveza e abertura.
Assistir “Larilá” no FIL foi uma confirmação de que a literatura e a música não são apenas entretenimento, mas pontes reais de afeto, escuta e transformação. Uma obra luminosa que mostra que, às vezes, o maior desejo de uma criança é simplesmente uma boa história para navegar.



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