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Reminicescia: a memória como uma ferramenta contra o esquecimento.

Writer: anacpintofil
anacpintofil
Sep 26
2 min read

Por Sofia de Paula

Na quinta-feira, dia 17 de setembro, aconteceu a abertura do FIL, Festival Internacional

Intercâmbio de Linguagens, no CCBB, com o a peça Reminicescia. Nela, Malicho Vaca

Venezuela, autor e ator, organiza memórias pessoais e coletivas para contar não apenas

sua história familiar, mas também a história de Santiago, no Chile.


Malicho, apelido dado pelo avô, convida a plateia para conhecer não apenas a sua história

familiar, mas também a história do Chile e da América Latina. Utilizando plataformas como

Google Maps e Zoom, muito usadas durante a pandemia, ele explica que a ideia para a

peça surgiu naquele momento em que o mundo todo estava sem contato com o exterior.


O artista começa o espetáculo convidando a plateia a cantar a música Sin Ti, de Los

Panchos. Em seguida, a viagem começa no mapa do mundo. Malicho projeta a imagem da

Via Láctea e vai se aproximando até chegar em Santiago, no bairro de Bellavista, passando

pela casa verde de seus avós e a casa amarela de sua família, onde cresceu e segue até o

hospital onde veio ao mundo, a antiga maternidade do Hospital Barros Luco, que foi

demolida em 2024.


Malicho incluiu a memória urbana no espetáculo através de dezenas de placas metálicas

das calçadas de Santiago. Desde 1980 memórias instaladas no chão, com recados

românticos e desenhos de palmeiras dão alma às ruas da cidade. Foram mais de 300

mensagens, mas atualmente só restam quatro.


O artista também mostra que já participou de protestos pela educação desde a sua

adolescência, como por exemplo a campanha “1800 horas correndo pela educação”, em

2011, que exigia um sistema de ensino público, gratuito e de qualidade, sendo um dos

resquícios da ditadura militar a privatização do sistema educacional.


O autor utiliza essas informações para contar não apenas uma memória pessoal, mas

também coletiva. Questionado o porquê de recordar essas memórias, ele afirma: "a memória frágil e a importância de protegê-la."


“Mas, neste ponto particular, tem a ver com o fato de que a memória é muito frágil. E a

memória como ideia de América Latina também é muito frágil, e a história de nossos países

é marcado por coisas terríveis. Alguém tinha que entender o sentido de proteção a

memória. Se não a protegermos agora, não poderemos construir um futuro.”


Ao retratar essas memórias e esses fatos de uma forma tão bela e sensível, não há como

não se emocionar e se identificar, sendo nós latinos americanos, tento tantos fatores que

nos conectam de diferentes formas.


Reminicenscia vai muito além da memória de Malicho e do Chile, é um espetáculo sobre

toda a América Latina, um lembrete de que recordar a nossa história e transmiti-la às

próximas gerações é o que nos permite seguir em frente sem repetir os períodos de

fragilidade que ela carrega.


 
 
 

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