Reminicescia: a memória como uma ferramenta contra o esquecimento.

Por Sofia de Paula
Na quinta-feira, dia 17 de setembro, aconteceu a abertura do FIL, Festival Internacional
Intercâmbio de Linguagens, no CCBB, com o a peça Reminicescia. Nela, Malicho Vaca
Venezuela, autor e ator, organiza memórias pessoais e coletivas para contar não apenas
sua história familiar, mas também a história de Santiago, no Chile.
Malicho, apelido dado pelo avô, convida a plateia para conhecer não apenas a sua história
familiar, mas também a história do Chile e da América Latina. Utilizando plataformas como
Google Maps e Zoom, muito usadas durante a pandemia, ele explica que a ideia para a
peça surgiu naquele momento em que o mundo todo estava sem contato com o exterior.
O artista começa o espetáculo convidando a plateia a cantar a música Sin Ti, de Los
Panchos. Em seguida, a viagem começa no mapa do mundo. Malicho projeta a imagem da
Via Láctea e vai se aproximando até chegar em Santiago, no bairro de Bellavista, passando
pela casa verde de seus avós e a casa amarela de sua família, onde cresceu e segue até o
hospital onde veio ao mundo, a antiga maternidade do Hospital Barros Luco, que foi
demolida em 2024.
Malicho incluiu a memória urbana no espetáculo através de dezenas de placas metálicas
das calçadas de Santiago. Desde 1980 memórias instaladas no chão, com recados
românticos e desenhos de palmeiras dão alma às ruas da cidade. Foram mais de 300
mensagens, mas atualmente só restam quatro.
O artista também mostra que já participou de protestos pela educação desde a sua
adolescência, como por exemplo a campanha “1800 horas correndo pela educação”, em
2011, que exigia um sistema de ensino público, gratuito e de qualidade, sendo um dos
resquícios da ditadura militar a privatização do sistema educacional.
O autor utiliza essas informações para contar não apenas uma memória pessoal, mas
também coletiva. Questionado o porquê de recordar essas memórias, ele afirma: "a memória frágil e a importância de protegê-la."
“Mas, neste ponto particular, tem a ver com o fato de que a memória é muito frágil. E a
memória como ideia de América Latina também é muito frágil, e a história de nossos países
é marcado por coisas terríveis. Alguém tinha que entender o sentido de proteção a
memória. Se não a protegermos agora, não poderemos construir um futuro.”
Ao retratar essas memórias e esses fatos de uma forma tão bela e sensível, não há como
não se emocionar e se identificar, sendo nós latinos americanos, tento tantos fatores que
nos conectam de diferentes formas.
Reminicenscia vai muito além da memória de Malicho e do Chile, é um espetáculo sobre
toda a América Latina, um lembrete de que recordar a nossa história e transmiti-la às
próximas gerações é o que nos permite seguir em frente sem repetir os períodos de
fragilidade que ela carrega.



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