FIL PRESENCIAL NO CCBB

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Os dois livros, Espinho de arraia e Curupira, de Roger Mello (nova edição), lançados neste ano de 2022 pela Global Editora, revelam nuances de dois biomas brasileiros: a Amazônia e a Mata Atlântica. Aqui, o humano e o animal não se separam, e a paisagem é em si uma personagem potente. As imagens adentram os corredores do Centro Cultural do Banco do Brasil em uma exposição inédita, por clareiras na mata e nos igarapés de nossas histórias.

 

Espinho de arraia demorou dez anos para ser concluído. O projeto gráfico do livro é inusitado, revelando 8 irmãos, crianças ribeirinhas que plantam mandioca em meio à mata inundável da Amazônia. No enredo, um irmão desapareceu, mas retorna com uma febre, após ter pisado em um espinho de arraia. Em processo de recuperação, o menino se confunde sobre suas vivências: o que será verdade e o que será delírio? Animais como a tartaruga matamatá e o peixe aruanã alternam papéis nesse território compartilhado por crianças e animais, todos integrando uma mesma trama poética, um ecossistema humano e afetivo.

 

As ilustrações dessa obra atravessaram a carreira do escritor e ilustrador, que integrou o catálogo de Fiera del libro per Ragazzi Bologna, 2015, a Feira Internacional mais destacada na área. Com a ilustração da capa de Espinho de arraia, que destaca um macaco Uacari branco, endêmico da Amazônia, Roger Mello se tornou, em 2014, o primeiro latino-americano a vencer o prêmio Hans Christian Andersen nessa categoria. 

 

Segundo a quarta capa do livro, com texto do escritor e ilustrador Yaguarê Yamã, filho do povo Maraguá: 

"É disso que gosto. Li esta incrível história e me vi nos tempos de infância, dentro do livro, conversando com amiguinhos da aldeia, num enredo bem amazônico! Mexer com a saudade de um tempo é tão bom. Roger Mello é espetacular. Um grande viva para ele e para os uacaris, panapanás, arraias e matamatás. Longa vida a todos os seres da Amazônia!” 

 

O livro Curupira Recebeu o Prêmio Lucia Benedetti da Fundação Nacional do Livro infantil e Juvenil na categoria melhor livro de teatro. A peça de mesmo nome estreou no Teatro III do Centro Cultural do Banco do Brasil, com direção de Ricardo Schöpke, em 1995. Teve longa temporada por todo o Brasil e, agora, recebe novo projeto gráfico de Roger Mello, com ilustrações inéditas. 

 

Conforme nos informa a quarta capa da obra, que reflete sobre o tema do assovio:

 "É o começo de tudo. Uma batida nas raízes das sapopemas, as árvores mais altas, pode mostrar a proximidade do Curupira. Ou que a peça vai começar. Talvez a partir daí, não haja mais volta. Aqui, o Curupira se apresenta como uma personagem de teatro. Talvez, somente o teatro dê conta de uma personagem tão complexa. 

Esse ser encantado vem entre cores especiais, num jogo de luz e encenação. O real e o imaginado se fundem. E nos confundem. Pra não esquecer que o Curupira sempre está à espreita, pedindo oferenda...

O espaço cênico vira o ‘lugar escondido’ entre o que resta da mata e a cidade, em que a ameaçadora personagem abraça o rito de crescimento de dois meninos, dois irmãos perdidos. A mata acabou por ser cercada pela cidade, mas a personagem do Curupira não vai se deixar cercar."

 

Biografia

 

Roger Mello nasceu em Brasília, em 1965. Vencedor do Prêmio Internacional Hans Christian Andersen 2014, na Categoria Ilustrador. O Prêmio é concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY), considerado o Prêmio Nobel da Literatura Infantil e Juvenil. É ilustrador, escritor e dramaturgo, tendo ilustrado mais de 100 títulos, 25 deles escritos também por Roger. Formado em Desenho Industrial pela ESDI/UERJ, trabalhou com grandes nomes da área, como Ziraldo, sendo considerado hours concours pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. 

 

Venceu diversos prêmios no Brasil e no exterior por seu trabalho como ilustrador e escritor, dentre os quais mais de 10 Prêmios Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, o prêmio da Academia Brasileira de Letras e da União Brasileira dos Escritores pelo conjunto de sua obra, além do prêmio internacional de melhor livro do ano da Fondation Espace Enfants (Suíça) em 2002, pelo livro Meninos do mangue.

 

Em 2014, recebeu o Chen Bochui International Children’s Literature Award como melhor Autor Estrangeiro na China e o livro A Feather, história do chinês Cao WenXuan ilustrado por Roger, recebeu o prêmio Livro mais Bonito do Ano da China. Em 2019, seu livro Enreduana ganhou o prêmio de melhor livro estrangeiro da China pela mesma instituição.

 

Realizou exposições individuais dos seus trabalhos na Coréia do Sul, na Itália, em Taiwan, na França, na China, no Japão, na Alemanha, na Colômbia, no Peru, no México e na Rússia. Foi autor da capa para o Annual Illustrators Catalog 2015, na Feira do Livro Infantil em Bolonha, Itália. Atualmente, tem livros publicados na França, Bélgica, Suíça, Holanda, China, Coréia do Sul, Irã, Japão, Suécia, Dinamarca, Argentina, México, Taiwan, Estados Unidos, Colômbia. É autor traduzido em 15 línguas.

 

Outro livro escrito por ele, Inês, com ilustrações de Mariana Massarani, foi vencedor do prêmio Jabuti na categoria melhor livro infantil de 2016 e de melhor livro da FNLIJ 2016. O livro Borboleta limão, projetado e ilustrado por Mello, texto de Cao Wenxuan, foi considerado um dos três livros mais bonitos da China pela Biblioteca Nacional da Criança de Pequim e Universidade Normal de Pequim, 2018. You can't be too careful!, versão de seu livro Todo cuidado é pouco!, constou entre 7 melhores livros de 2017, pela Kirkus Reviews, Estados Unidos, sendo também agraciado como um dos quatro melhores livros infantis traduzidos nos Estados Unidos em 2017, na lista de livros de honra Mildred L. Batchelder (ALA, American Library Association). Griso, el Único, traduzido para o espanhol, foi incluído pela Fundação Cuatrogatos (Miami, EUA) entre os 20 melhores livros da língua hispânica nos Estados Unidos em 2017. 

 

Além disso, seu trabalho esteve em exposição individual intitulada Das Fantastische Farbenreich des Brasilianischen Illustrators Roger Mello, de novembro de 2011 a fevereiro de 2012, no Internationale Jugendbibliothek (IJB), no castelo Blutenburg em Munique (Alemanha), com curadoria de FNLIJ. Fazia parte da exposição itinerante da IJB, exibida nas cidades alemãs de Colônia e Wetzlar e no Museu Struwwelpeter em Frankfurt. O Museu de Arte Chihiro, Azumino, no Japão, exibiu a exposição Roger Mello, um artista viajante do Brasil, em 2014, e no Museu de Arte Chihiro, em Tóquio, em 2015. Em 2014, na Coréia do Sul, houve uma exposição ao ar livre de reproduções em grande formato de seus originais na Cornel Tree Lane, na ilha de Nami. Em 2014, ele foi homenageado com uma exposição individual no Seoul Arts Center, na Coréia do Sul, Wonderful World of Colors de Roger Mello, com curadoria do premiado multiartista coreano Woo Hyon Kang, obtendo uma taxa média de visitação de 1.300 pessoas por dia e considerada uma das 10 principais exposições em toda a Coréia do Sul pelos jornais de maior prestígio de Seul, aparecendo ao lado de exposições de artistas como Munch e Van Gogh. Ele também realizou uma exposição individual na Feira do Livro Infantil em Bolonha, Itália, com turnê mundial em Teerã, Xangai e Tóquio. Participou, ainda, da exposição de 50 anos do Hans Christian Andersen Awards, juntamente com os 24 vencedores do prêmio HCA de ilustração, todos então reunidos pela primeira vez, com uma abertura no Chiang Kai-Shek Memorial Hall, em Taipei, de junho a setembro de 2016. Em seguida, no Parque de Esculturas Jing'an, em Xangai; na Biblioteca Nacional de Pequim e na Torre Hang Zhou, Hang Zhou, China, até 29 de julho de 2018. 

 

Outras exposições incluem a Biblioteca Pública do Brooklyn (Nova York, 1999), Biblioteca Infantil e Juvenil de Moscou, Biblioteca Internacional de Crianças Literatura, National Diet Library, Tóquio. Exposição individual na Bienal de Ilustração de Bratislava, BIB (Eslováquia, 2015). Exposição na Maison des Contes et des Histoires em Marais, Paris. Ele também exibiu os originais do livro Magma Boy, em parceria com Woo Hyon Kang, na ilha de Jeju, na Coréia do Sul e a exposição individual Roger Mello Kwaai Papegaai em Stellenbosch, África do Sul. No Brasil, participou do coletivo Linhas de Histórias, no Sesc, em São Paulo, além das exposições Roger Mello, um artista sem fronteiras, Caxias do Sul e em Ler, Salão Carioca do Livro, Rio de Janeiro e Roger Mello e seus jardins, organizado pela FNLIJ, durante o 16º Livro da FNLIJ para crianças e jovens, que mais tarde foi para a National Library Foundation e para o Centro Cultural Brasil-México na Cidade do México.

 

Roger também é autor dos textos teatrais: Uma história de boto-vermelho (prêmio Coca-Cola de Teatro Infantil na categoria Melhor Texto) e País dos mastodontes. Escreveu e dirigiu as peças Dispare, W e Carmim. No CCBB, foram encenadas e/ou criadas, de sua autoria: Curupira, Elogio da loucura (baseado na obra de Erasmo de Rotterdam), Meninos do mangue, João por um fio e Entropia.

Exposição Espinho de Arraia e Curupira, Roger Mello - FIL 2022

Teatro III

CCBB - Rua Primeiro de Março 66 - Centro

Rio de Janeiro - RJ