• Victor Kallut

Com “Fina”, Buia Teatro mostra a importância do amor próprio e de verdadeiras amizades

Por Victor Kallut


O grupo Buia Teatro apresentou no último domingo, 28/03 o espetáculo Fina, de Karen Acioly, exibido através do YouTube pelo canal do FIL Festival. A história mostra Josefina, uma menina que vive em um mundo no qual a julgam constantemente por ser quem é. Apesar disso, a menina consegue manter uma grande autoestima. Entre questionamentos, medos e paixões, a personagem é capaz de refletir sobre a importância de estar em conjunto e como é ficar só — tudo isso no dia do seu aniversário.


A peça é constituída, em sua maior parte, por elementos aparentemente simples: a atriz, um pano ao fundo que demarca o cenário e objetos dispostos ao longo do palco que, em algum momento, entram no curso da narrativa. É possível perceber também um instrumentista localizado atrás das coxias. Ele é responsável por uma trilha sonora orgânica que, sem dúvidas, confere um brilho a mais à apresentação. E este é um ponto positivo de Fina: a simplicidade do cenário abre espaço para uma atuação que dá conta de preencher toda a cena, elevando o valor de cada pequena coisa que entra em contato com Josefina.


A construção da personagem, inclusive, é executada de maneira brilhante. Mostrada a princípio como sendo despreocupada em relação ao julgamento alheio, ela se depara com dúvidas e inseguranças que permeiam a cabeça de muitas crianças. Sua superação, entretanto, é obtida de forma quase independente, com a quebra de idealizações relacionadas ao amor e ao autoconhecimento, exemplificando que é possível tratar, sem superficialidade, de temas complexos com o público infantil.


Longe de ser um espetáculo restrito a uma determinada faixa etária, Fina é indicado até para adultos que desejam ver como o envelhecimento, embora traga a maturidade, torna complicadas questões que são, na verdade, simples. A síntese da mensagem proposta pela peça esteja, talvez, em uma fala presente no próprio roteiro: “sonho que se sonha só, é só um sonho; mas sonho que se sonha junto, é realidade”. Para assistir a apresentação novamente, basta acessar o vídeo no canal do FIL Festival no YouTube.

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