• Pedro Werneck Brandão

II Jornada de Literatura Infantil e Juvenil traz debate nostálgico sobre clássicos da literatura

Convidados enaltecem Monteiro Lobato e discutem adaptações literárias


Convidados realizam uma discussão enriquecedora sobre a literatura (Foto: Pedro Henrique Combas)

Por Matheus Machado André


A II Jornada de Literatura Infantil e Juvenil, realizada na última sexta-feira (11), no auditório da CPM, na UFRJ, contou com a presença da escritora Luciana Sandroni, do professor da Escola de Comunicação da UFRJ Mário Feijó e da escritora e ilustradora Marilia Pirillo. Com mediação da professora Rosa Cuba Riche, o evento teve como tema a leitura e releitura de clássicos da literatura brasileira.


Na primeira parte do evento, os convidados se apresentaram, contaram um pouco sobre os seus trabalhos e manifestaram suas paixões pela literatura. Num momento de cordialidade, Mario Feijó agradeceu à Luciana Sandroni por ela ter sido a autora do primeiro livro que sua filha leu. Marilia Pirillo relatou que sua paixão pela leitura começou por conta de sua infância solitária e que via na biblioteca um refúgio para fugir do bullying sofrido na época da escola.


O grande destaque do evento foi a paixão por Monteiro Lobato. No ano da comemoração do 30° aniversário do livro “Ludi vai à praia: uma odisseia de uma marquesa”, Luciana revelou que a personagem nasceu da leitura dos livros do escritor, enquanto Mário disse que foi “intimado” a ler os livros de Lobato desde a infância, pois seus pais eram fãs do criador do Sítio do Picapau Amarelo.


Outro assunto relevante foi a adaptação de clássicos da literatura para possibilitar um melhor entendimento do público infantil. Monteiro Lobato foi citado pelas suas famosas adaptações, como “Dom Quixote para crianças”, originário da obra de Miguel de Cervantes.


Na parte final do evento, uma polêmica foi levantada quando Monica, uma espectadora, perguntou à Luciana sobre o fato de Pedro Bandeira ter retirado o personagem Pedrinho e o “racismo” de sua adaptação “Narizinho – A Menina Mais Querida do Brasil”. A escritora respondeu que, hoje, tem-se uma visão sobre as obras de Lobato que não se tinha antes. Ela citou os maus-tratos de Emília com Tia Nastácia, e disse que tirar esse “racismo” da obra faz com que as crianças não tenham o contato devido com a época em que a história se passa.


Luciana Sandroni destacou a importância de discussões sobre literatura infantil e juvenil: “Acho superimportante essas discussões, a gente falar de livro. Acho essa troca importante, essa troca do escritor sair um pouco do escritório, do texto, e vir conversar, falar como tem as ideias. Acho enriquecedor. É rico para mim, é rico para os estudantes, para os futuros escritores”.

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