• Luana Reis

Mau jornalismo também é desinformação: especialistas comentam fake news e fazer-jornalismo no FIL

Por Luana Reis

(Imagem: Reprodução)


O que é preciso para combater a desinformação no mundo virtual? “Fake News para Novos Públicos” foi o tema do primeiro Ping Pong do 18º Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), que abordou a importância da educação midiática para as novas gerações, em uma verdadeira aula de como fazer jornalismo no meio digital. A entrevista foi transmitida em uma live no Youtube no dia 19/03 às 18h e foi conduzida pela Professora e Dra. em Comunicação e Cultura, Cristina Rego Monteiro da Luz, com participação do Diretor de Negócios e Estratégia da Agência Lupa de fact-checking, Gilberto Scofield.


“Mentira sempre existiu, mas hoje a desinformação é turbinada e operada através de mediações de algoritmos em ambientes de redes sociais, onde as pessoas passam 80% de seu tempo”, afirmou Scofield. Cristina colocou que sua impressão era de que a maior parte das empresas que trabalham com comunicação estão se voltando, principalmente, para índices contábeis e lucros. Gilberto concordou, complementando que atualmente plataformas como o Facebook têm um modelo de negócios para vender mercadorias, mas que também acabam vendendo ideologias. E isso impulsiona a expansão da mentira para fora de controle, além de criar “bolhas” de conteúdo que reproduzem discursos que uma pessoa quer ouvir em sua rede, dificultando, portanto, o combate à desinformação. “Nunca foi tão desafiador estabelecer pontes e diálogos como é hoje em dia”, ele comenta.


Mas tendo em vista que “É impossível tirar as pessoas da internet”, conforme Scofield apontou na discussão, uma das principais saídas para combater a desinformação é “treinar o olhar das pessoas”, como faz a LupaEducação, iniciativa da agência que desenvolve programas de treinamento sobre desinformação e fact-checking, incentivando as pessoas a desenvolverem senso crítico em relação ao conteúdo que recebem na internet. Ou seja, reconhecendo informações não-verdadeiras e buscando fontes confiáveis. Ele comentou que, por demanda, atualmente 50% da receita da Agência Lupa vem da área de educação midiática.


Além disso, Gilberto afirmou que “Mau jornalismo também é desinformação”. Ele apontou que hoje muitos jornais da mídia tradicional, com financiamentos e em associações com empresas, aparentam não estar preocupados com as informações fornecidas em seus ecossistemas, visto que muitos sites desses veículos apresentam clickbaits e propagandas desinformativas embaixo de suas notícias. Essas informações ficam misturadas em uma mesma página como se fossem todas de interesse jornalístico e representam uma ameaça no combate à desinformação. Para Scofield, é uma contradição a forma como essas empresas se portam como veículos de jornalismo e simultaneamente distribuem esses conteúdos em seus portais – “Isso não é jornalismo”.


Para quem se interessa em entender melhor o mecanismo por trás da indústria das fake news na internet, a gravação do Ping Pong está disponível no canal do FIL no Youtube, clicando aqui.


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